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ESTRUTURA PRODUTIVA E DESENVOLVIMENTO DO RIO GRANDE DO SUL: ESTRATÉGIAS PARA MINIMIZAR OS IMPACTOS DE EVENTOS EXTREMO

Coordenador(a) do projeto: Adelar Fochezatto

PUCRS

 

Problema de pesquisa

O Rio Grande do Sul tem vivenciado uma série de eventos climáticos extremos nos últimos anos. Os efeitos econômicos de eventos climáticos adversos transmitem-se na economia através de vários canais. Primeiro, impacta negativamente o emprego nos setores diretamente afetados por estes eventos (efeitos diretos). Segundo, impacta negativamente o emprego nas cadeias de suprimentos destes setores (efeitos indiretos). Terceiro, diminui a massa salarial nos setores diretamente afetados e nos seus fornecedores, diminuindo o consumo final de produtos e, por consequência, o emprego nos setores fornecedores de bens e serviços finais (efeitos induzidos pela renda). Assim, a ocorrência desses eventos provoca interrupções parciais ou totais de cadeias produtivas.

Como as atividades econômicas que compõem estas cadeias produtivas estão localizadas em diferentes regiões, a redução da produção em um local acaba gerando efeitos que se propagam no espaço geográfico dentro e fora do Estado do Rio Grande do Sul. Sendo assim, é importante analisar como choques oriundos de eventos climáticos extremos, como os vivenciados nos últimos anos, impactam direta e indiretamente os setores produtivos e como eles afetam os diferentes espaços geográficos.

O objetivo geral do estudo é analisar os impactos diretos e indiretos dos setores econômicos, classificados por grau de vulnerabilidade a crises climáticas. Um objetivo especifico do projeto é projetar os impactos indiretos no espaço geográfico gaúcho para que se possa identificar os municípios com maiores perdas indiretas decorrentes da enchente de 2024.

Com isso, o estudo se justifica porque permite identificar gargalos e oportunidades da estrutura produtiva do Rio Grande do Sul e definir estratégias de desenvolvimento com maior estabilidade e sustentabilidade

Enfoque metodológico adotado               

Para atingir estes objetivos é usado um modelo de insumo-produto, o qual contempla as interdependências entre setores nos processos produtivos. Por isso, ele é adequado para analisar perdas econômicas diretas e efeitos em cascata que podem ocorrer em um sistema multissetorial como consequência de eventos climáticos adversos.

Para a classificação do grau de vulnerabilidade dos setores a crises climáticas são utilizadas informações relacionadas a variação do número de empregados dos setores e tempo até a retomada considerando como referência o nível de emprego no período imediatamente anterior ao evento climático.

Principais fontes de dados

Para montar o modelo de insumo-produto é utilizada a Matriz de Avaliação da Estrutura Produtiva do Rio Grande do Sul (MAEP RS) disponibilizada pela Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul. (https://tesouro.fazenda.rs.gov.br/lista/5052/matriz-de-avaliacao-da-estrutura-produtiva-do-rio-grande-do-sul-(maep-rs)).

As informações usadas para a classificação do grau de vulnerabilidade dos setores a crises climáticas são de emprego formal do Novo CAGED, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho). Estes dados possuem periodicidade mensal e, portanto, são adequados para obter maior precisão dos efeitos da enchente de maio de 2024 sobre os setores econômicos.

Em relação aos dados de eventos climáticos e ambientais, são usadas as seguintes fontes: S2ID, plataforma pública Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (https://s2id.mi.gov.br/paginas/index.xhtml); MapBiomas, rede colaborativa, formada por ONGs, universidades e startups de tecnologia (https://brasil.mapbiomas.org), que fornecem dados climatológicos e de uso e cobertura do solo; DEE-Dados, plataforma do Departamento de Economia e Estatística (SPGG/RS), que fornece estatísticas socioeconômicas e mapeamento de locais atingidos pela enchente de 2024; e Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, que possui informações sobre as bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul.

Política pública para a qual o projeto pretende contribuir            

Aumentar a resiliência da economia do Rio Grande do Sul e suas regiões a choques adversos. O mapeamento dos setores sensíveis a eventos climáticos extremos e seus impactos diretos e indiretos possibilita identificar gargalos e oportunidades de sistemas produtivos, cadeias produtivas e arranjos produtivos locais. Com isso pode contribuir para: definir estratégias de desenvolvimento mais seguras e sustentáveis; e estratégias públicas para aumentar a resiliência e a sustentabilidade de locais que concentram setores mais vulneráveis a crises climáticas.

Referências bibliográficas relevantes para o projeto

HALLEGATTE, S. An adaptive regional input-output model and its application to the assessment of the economic cost of Katrina. Risk Analysis: An International Journal, 28(3):779–799, 2008.

LYU, Y.; XIANG, Y.; WANG, D. Evaluating Indirect Economic Losses from Flooding Using Input–Output Analysis: An Application to China’s Jiangxi Province. International Journal Environmental Research and Public Health, 20, p.1-17, 2023.

MILLER, R.E.; BLAIR, P.D. Input-output Analysis: Foundations and Extensions, Cambridge University Press, 3a ed., 2022. 

OKUYAMA, Y; SANTOS J.R. Disaster impact and input-output analysis, Economic Systems Research, 26(1), 1–12, 2014. 

SANGUINET, E. R.; ALVIM, A. M.; ATIENZA, M.; FOCHEZATTO, A. The subnational supply chain and the COVID-19 pandemic: Short-term impacts on the Brazilian regional economy. Regional Science Policy and Practice, v.13, p. 158-186, 2021.

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ESTRUTURA PRODUTIVA E DESENVOLVIMENTO DO RIO GRANDE DO SUL: ESTRATÉGIAS PARA MINIMIZAR OS IMPACTOS DE EVENTOS EXTREMO

Coordenador(a) do projeto: Adelar Fochezatto

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